terça-feira, 1 de setembro de 2009

Espiritualidade no Caminho da Vida – Lc 10:25-37

→ Espiritualidade tem haver com uma vida de acordo com a Palavra de Deus, com o
Verbo de Deus, com a bíblia...
→ Espiritualidade tem haver com Voz de Deus nos nossos corações... Tem haver com
Palavra de Deus no nosso interior...
... E, quando nós pensamos na Palavra de Deus, a Palavra é uma pessoa...
... A Palavra de Deus tem essa revelação escrita, mas o LOGOS de Deus, a Palavra, é
uma pessoa, é Cristo... Logo, espiritualidade tem haver com Cristo em nós...
... E, agente perde de vista um pouco que, espiritualidade é Palavra que encarna, que
vira gesto, que se torna humanidade plena...

... Agente fez da Palavra um tipo de teoria discursiva, um tipo de doutrina na qual nós
cremos; e nós não discernimos muito bem, que quando abrimos a Palavra, alguém
está falando conosco... E, na realidade, a bíblia é isso... São cartas de amor, de um
Deus apaixonado, que não mede esforços para tentar alcançar o nosso coração...
Não é alcançar a nossa mente, o nosso intelecto, mas, o nosso coração... Isso é
espiritualidade...
... Deus quer saber dos nossos afetos... Um Deus que está fazendo de tudo para
despertar nos nossos corações uma grande paixão pela vida...Isso é espiritualidade...

... Por isso que 2/3 da bíblia é poesia, metáforas, doxologias... Não somente isso, mas a
bíblia é um livro de biografias; ela tem que chegar no concreto... O Deus da bíblia é o
Deus de Abraão, de Isac e de Jacó; e Abraão, Isac, e Jacó, são três gerações de
pessoas comuns, reais, com suas dificuldades e suas mazelas... Pessoas que vivem
uma trama terrena e que precisam de pessoas... Isso é espiritualidade.
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Quando falamos de nossa espiritualidade, estamos falando de nossa capacidade de manifestar Deus ao mundo; e quando eu falo ao mundo, é entre os homens...
Espiritualidade é a nossa capacidade de compartilhar a nossa felicidade em Deus; é o que os judeus chamam de simchá, ‘felicidade compartilhada’...
Cada vez mais, perdemos a nossa espiritualidade; perdemos a nossa capacidade de compartilhar o amor de Deus com os outros... (a nossa geração vê a espiritualidade como uma carreira solo – ...“eu quero resolver o meu problema!”)

Jonathan Sacks “Qual é a minha ligação com as crianças famintas da África ou com as vítimas de um terremoto na Índia? Por que eu teria qualquer relação com o futuro dos desempregados, dos sem-teto, dos carentes na sociedade em que vivo, no bairro onde moro? Os problemas são extensos demais para que as minhas ações façam diferença. Em troca de impostos, nós nos habituamos a delegar as responsabilidades ao governo, substituindo, assim, a ética pela política, a obrigação moral por fria legislação, e o envolvimento pessoal por órgãos públicos sem rosto. Como resultado, perdemos a nossa espiritualidade”
Você pode está perguntando: ‘O que tem haver meu envolvimento com os problemas da terra e a minha espiritualidade?’ R – Tudo haver!

A religião cristã sempre viveu esse problema; o de querer uma espiritualidade para o céu, e não, para a terra... De nos preocuparmos com a vida no céu, e não, na terra...
De, no máximo, ligarmos espiritualidade a ritos, dogmas, e carismas...
POR ISSO, Se eu perguntasse: Qual o maior indicador de espiritualidade? Qual seria a resposta? Ou, se eu reformulasse a pergunta: Espiritualidade tem haver com o que?

→ Eu diria que espiritualidade tem haver com a minha vida na terra, e não, com a
minha vida no céu... Tem haver com a minha caminhada na terra, e não, com a
minha vida após a morte... E mais:
→ Espiritualidade, não necessariamente, tem haver com reuniões, cultos...(Is 1:14)
→ Não, necessariamente, tem haver com profecias, milagres, exorcismos... (Mt
7:22)
→ Não, necessariamente, tem haver com dons dos carismas... (1 Co 13)
→ Espiritualidade não tem haver com doutrina, com regras, com dogmas; até porque,
doutrinas, regras, dogmas, são formados num ambiente impessoal, de obediência
cega (é tocando flauta para o outro dançar e entoando lamentações para o outro chorar –
LEMBRAM? Mt 11:17)...
→ E, espiritualidade tem haver com os nossos relacionamentos, com a empatia, com a
compaixão, com os sentimentos de Deus em nós e através de nós... Tem haver com
perdão, misericórdia, chorar com os que choram, levar as cargas uns dos outro...
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O Texto Lido, fala de um diálogo de Jesus, com um homem religioso, doutor da lei judaica, que queria saber, como poderia chegar ao céu depois da morte...

Ø Um homem da elite religiosa de Israel, escriba, que colocava a letra, a lei, acima das pessoas, perguntou a Jesus: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida
eterna?
Ø Jesus disse: “O que está escrito na lei, como interpretas?” ... ... ...

“Ame ao senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças, com todo o teu entendimento, e ame ao seu próximo como a si mesmo”

Ø Na cabeça do escriba, amar a Deus tinha haver com o céu e isso não era problema para um religioso, mas, amar ao próximo, era complicado; tinha haver com a terra, com o cotidiano...

Talvez ele pensasse: “Existem romanos aqui em Jerusalém, e eu não estou disposto
a amá-los!”
Ø Ele queria saber, como chegaria ao céu, sem passando pela vida das pessoas, sem o exercício da espiritualidade...
Ø Jesus contou uma parábola: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó...
Ø A Pergunta é: O Que Eu Preciso Saber Sobre a Verdadeira Espiritualidade?

1) Que ela está disposta a construir não regras, leis ou doutrinas, mas, gestos e manifestações de afetos...

2) Que a verdadeira espiritualidade é gerada num ambiente de busca, não de coisas, e sim, de virtudes...

3) A verdadeira espiritualidade é praticada, não na obstinação da chegada, mas, na trajetória do caminho...