quinta-feira, 30 de julho de 2009

O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo

ovo
"Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida".
Provérbios 4:23
O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo
Sou um daqueles apaixonados pela vida, não vivo simplesmente para executar uma agenda de obrigações ou para cumprir deveres, preciso alimentar essa minha paixão, e para isso, gosto de ficar parado, inerte, improdutivo, apenas num movimento contemplativo, simplesmente me deliciando da existência através dos meus sentidos; mas isso não é uma tarefa simples, necessito de um exercício constante, preciso todos os dias desenterrar meus sentidos que foram sepultados pelos deveres, como diz nosso poeta Rubem Alves: “Os sentidos precisam sair do túmulo onde os deveres os enterraram”.
Preciso confessar uma coisa para não me sentir culpado. Nem sempre consegui esse feito, foram várias tentativas, aliás, usarei o verbo no passado para causar mais esperança na minha fala, saiba, porém, que essa tentativa sempre será num tempo presente. Num desses dias, quando estava desfrutando desses momentos inertes, fiquei maravilhado com uma grande descoberta. Descobri que uma das coisas que mais tem causado paixão na minha caminhada, é o fato de poder desistir. É isso mesmo, é exatamente o que quero dizer, e não estou equivocado, pelo menos, na articulação de minhas palavras.
Desistir causa paixão pela vida.
Desistir não é uma palavra bem aceita, é uma expressão complicada, pelo menos, para quem foi ensinado na doutrina de não desistir, para quem aprendeu que desistir é para fracos e covardes; mas, na caminhada da vida precisamos desistir de algumas coisas, mesmo que sejamos tachados de fracos e covardes.
Já desisti, por exemplo, de acreditar que para ser feliz precisa-se seguir o modelo do pensamento de todo mundo.
Desistir já faz parte da minha existência, faz parte dos meus planos, faz parte do meu crescimento, por exemplo, precisei desistir de algumas coisas de criança, para tornar-me adulto, quando me encontrei prudente, precisei desistir da valentia num momento de grande risco. Desistir já faz parte da minha jornada e não me sinto culpado, porque precisei desistir de algumas coisas para não desistir de mim mesmo.
Quero deixar clara a verdade de que não é imoral desistir de coisas, o que é verdadeiramente imoral é desistir de si mesmo.
Que Deus o abençoe.
Pr. Flávio Leite